HABANA VIEJA

Habana Vieja é o grande centro da capital cubana, onde as atrações turísticas se entrelaçam como memórias vivas, chamando o viajante a um mergulho sem fim. Diferente daqueles centros históricos latino-americanos, muitas vezes vazios e silenciosos como páginas esquecidas, aqui a vida ferve. São 80 mil habitantes locais que animam as ruas, mais uma população flutuante diária decorrente do turismo – um pulsar incessante de risos, ritmos e histórias.

Para guiar seus passos pela alma dessa região, traçamos seis roteiros essenciais, partindo de referências que revelam camadas profundas:

  1. Parque Central 
  2. Museu da Revolução
  3. Calle Obispo 
  4. Plaza de la Catedral
  5. Plaza Vieja 
  6. Antigo Porto de Havana 

1. Parque Central 

O Parque Central, localizado no Paseo del Prado, se ergue como um ponto vivo onde a alma da cidade respira. No centro, a estátua de mármore branco de José Martí, o líder da independência cubana, vela sobre o burburinho, como um guardião de memórias eternas.

Ao redor, edifícios emblemáticos tecem o cenário tradicional de Havana: o elegante Hotel Iberostar Parque Central, o acolhedor Hotel Plaza, o luxuoso Gran Hotel Manzana Kempinski, o Centro Austuriano (hoje Museu de Belas Artes – arte universal), o histórico Cine Payret (futuro hotel), o grandioso Gran Teatro de La Habana, o clássico Hotel Inglaterra e o charmoso Hotel Telégrafo. Cada fachada sussurra histórias, convidando o olhar a devanear.

Gran Teatro de la Habana Alicia Alonso

O Gran Teatro de La Habana, inaugurado em 1914 pelo arquiteto belga Paul Belau – o mesmo gênio por trás do Palácio Presidencial, hoje Museu da Revolução –, ergue-se no antigo prédio do Centro Gallego, refúgio da comunidade galega em Havana. Aqui, a história se entrelaça com o palco, sede do Ballet Nacional de Cuba, do Ballet Espanhol de Cuba e do Teatro Lírico Nacional.

Localizado na Paseo de Martí #458, em Habana Vieja, sua sala principal García Lorca acomoda 1.500 almas, em homenagem ao poeta espanhol que viveu na ilha em 1930. Opte por um passeio guiado ou assista a um espetáculo – lugares incríveis que revelam como a arte pulsa na veia cubana, atraindo famílias inteiras aos teatros.

Desde 2015, carrega o nome da prima ballerina absoluta Alicia Alonso, um tributo à dança que transcende o tempo.

Capitólio Nacional

De estilo neoclássico e inaugurado em 1929, o Capitólio Nacional ergue-se como um guardião de mármore e bronze no coração de Havana. Abrigou o Congresso, depois o Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, e a Academia de Ciências. Atualmente é a sede do Parlamento Cubano. Após restauração pela Oficina del Historiador de la Ciudad de La Habana, reabriu em abril de 2018, renovado para novos olhares.

Ao fim das escadarias de granito, duas estátuas em bronze vigiam a entrada: uma, o progresso humano; outra, a virtude do povo. Nas portas principais, cenas da história cubana desfilam – da chegada dos espanhóis ao nascimento da república.

Logo na entrada, a imponente Estátua da República, obra do italiano Angelo Zanelli, divide o Salón de los Pasos Perdidos. Com 17,54 m de altura e 49 toneladas de bronze, ela sussurra os segredos de uma nação.

Dica: Visitas guiadas em vários horários. Fechado às segundas-feiras. Reserve conosco a experiência de visitar o Capitólio Nacional e conhecer o centro histórico de Havana acompanhado de um especialista cubano que fala português!

2. Museu da Revolução

Principal guardião das memórias de Havana, o Museu da Revolução ergue-se descendo o Paseo del Prado, simbolicamente no antigo Palácio Presidencial, como um eco vivo do passado que não se cala.

Siga a ordem cronológica, iniciando no terceiro piso. As salas se desdobram ricas em fotos, documentos, painéis e relíquias dos protagonistas, tecendo a saga da ilha. Na ala dedicada à luta contra Fulgencio Batista, uma estátua de cera captura Camilo Cienfuegos e Che Guevara na Sierra Maestra – um instante congelado que pulsa com o fogo da guerrilha.

Museu Nacional de Belas Artes

Principal acervo de Cuba, guarda mais de 47 mil peças que tecem a história da arte. A exposição de arte cubana, com obras de mais de 300 artistas de todas as gerações, ocupa o antigo Palácio de Belas Artes, logo atrás do Museu da Revolução – um mergulho na essência criadora da ilha.

A arte universal pulsa no edifício do antigo Centro Asturiano, perto do Floridita. Ali, coleções de Flandes, Holanda, Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Ásia e América Latina se unem a tesouros antigos do Egito, Grécia e Roma, convidando o olhar a devanear por mundos distantes.

Paseo del Prado

O Paseo del Prado se desdobra como um calçadão vivo, partindo das proximidades do Parque Central e descendo rumo ao Malecón. Por tantos anos, foi a artéria principal da cidade, onde o burburinho da vida se entrelaçava em ritmos eternos.

Nas manhãs de domingo, artistas tecem seu encanto: artesanato e pinturas se espalham, enquanto oficinas de arte para crianças florescem, convidando olhares a devanear entre cores e sonhos.

Embaixada da Espanha

Ao final do Paseo del Prado, ergue-se a Embaixada da Espanha, construída em 1912 no estilo Art Deco, antigo Palácio Velasco-Sarrá. Única sede diplomática em Habana Vieja, guarda na Calle Cárcel #51, esquina com Zulueta, os ecos de uma elegância que o tempo não apaga.

3. Calle Obispo

Principal artéria de Habana Vieja, Calle Obispo ganhou nome por abrigar, em épocas distintas, os bispos Fray Jerónimo de Lara e Pedro Agustín Morell de Santa Cruz. Desdobra-se do Parque Central rumo à Plaza de Armas, um fluxo incessante de movimento: atrações que encantam, lojinhas de artesanato que sussurram cores, restaurantes que exalam sabores e música ao vivo que pulsa na alma.

Restaurante El Floridita

Na Calle Monserrate, a uma quadra do início da Calle Obispo, ergue-se o El Floridita, conhecido como o Templo Mundial do Daiquiri. Seu cliente mais ilustre, Ernest Hemingway, ganhou estátua em bronze à mesa do bar – reza a lenda que o escritor pedia dose dupla de rum, um brinde à vida que ainda ecoa.

A qualidade transborda, sobretudo nos mariscos, especialidade da casa. O ambiente ferve animado, com música cubana e as apresentações do Quinteto D’Amore, liderado pela vocalista Evelyn, tecendo ritmos que convidam à devaneio.

Los Zanqueros

Los Zanqueros, grupo de teatro, dança e artes circenses, desfilam pelas ruas de Habana Vieja como um vendaval de alegria. Em suas caminhadas, é quase certo que os encontre e se junte à animada festa que eles tecem, um pulso vivo de ritmo e encanto.

Hotel Ambos Mundos

Ernest Hemingway viveu em Cuba por 22 anos, e o Hotel Ambos Mundos foi um de seus lares na ilha. Na Calle Obispo, pouco antes da Plaza de Armas, o quarto 511 preserva as memórias do hóspede ilustre, tecendo histórias que o tempo não apaga.

No terraço, um restaurante com acesso livre convida à contemplação da cidade, onde o olhar devaneia sobre os telhados de Habana Vieja.

Plaza de Armas

A Calle Obispo desagua na Plaza de Armas, em torno da qual a cidade brotou como um sonho antigo. Ali se erguem o Castillo de La Fuerza, fortaleza que outrora guardava o porto; El Templete, pequeno monumento neoclássico de 1828 que marca o suposto berço de San Cristóbal de La Habana; o Palacio de los Capitanes Generales, hoje museu da cidade; e o Hotel Santa Isabel. No centro, a escultura de Carlos Manuel de Céspedes, líder da independência, vela sobre memórias que não se apagam.

Hotel Santa Isabel

Situado na Plaza de Armas, o Hotel Santa Isabel pertenceu ao Conde de Santovenia. Em outubro de 1833, suas paredes coloniais abrigaram uma grande festa onde a princesa Isabel Luisa de Borbón – futura Isabel II da Espanha – jurou solenemente à coroa espanhola, um instante gravado na memória da ilha. Hoje, transforma-se em hotel boutique, onde a história sussurra em cada canto.

4. Plaza de la Catedral

Descendo a Calle Obispo, na altura da Calle San Ignacio, dobre à esquerda, siga reto e, na segunda quadra, a Plaza de La Catedral se revela – lar da Catedral de San Cristóbal de La Habana e do icônico restaurante La Bodeguita del Medio.

Visita obrigatória, a Catedral é obra emblemática do barroco cubano, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1982. No interior, a principal imagem de San Cristóbal, padroeiro de Havana e protetor dos viajantes, vela sobre os fiéis e os errantes.

La Bodeguita del Medio

Melhor recanto de Havana para provar um mojito autêntico e saborear a comida criolla, pratos que carregam a alma cubana. Fundado na década de 1930, suas paredes guardam frases, assinaturas e elogios de visitantes que o tempo não apaga.

Hemingway, fiel devoto, imortalizou nas paredes do bar: “Mi mojito en La Bodeguita, mi daiquirí en El Floridita” – um brinde que ainda ecoa no ar.

5. Plaza Vieja

Descendo a Calle Obispo e dobrando à direita no Hotel Ambos Mundos, a Calle Mercaderes se desdobra como um convite ao devaneio. Siga mais algumas quadras e a Plaza Vieja surge, com a Cámara Oscura, o café Escorial e a Cervezaria Factoria Plaza Vieja, onde o passado pulsa em ritmos de encanto.

Factoría Plaza Vieja

No coração de Habana Vieja, a microcervejaria La Factoría Plaza Vieja desdobra-se como um oásis de espuma e frescor. Escolha o canecão de cerveja light, média ou escura, e sinta o alívio após uma longa caminhada pelas ruas que sussurram histórias.

Cámara Oscura

No último andar do edifício Gómez Vila, na Calle Teniente Rey esquina Mercaderes, a Cámara Oscura te convida a espiar o pulsar da cidade em tempo real. Um efeito óptico projeta na tela côncava o mundo exterior, em giro completo de 360º, como um devaneio vivo pelas ruas de Habana Vieja.

Única nas Américas, compartilha o mistério com apenas cinco irmãs na Europa – duas na Inglaterra, duas na Espanha e uma em Portugal.

Café El Escorial

Na Plaza Vieja, o Café El Escorial desdobra-se como um oásis para provar o autêntico café cubano, aroma que desperta os sentidos. Dica preciosa: para levar ao Brasil, as marcas Serrano e Cubita guardam esse sabor na memória.

6. Região do Porto

Mercado de San José

Antigo armazém do porto de Havana, transformado em feira de artesanato, o Mercado de San José pulsa como a maior de Cuba. Das 10h às 18h, na Avenida del Puerto à altura da Calle Cuba, artesãos tecem lembrancinhas e presentes que sussurram histórias da ilha. Ali, uma casa de câmbio (CADECA) facilita o troco.

Em meio ao assédio dos vendedores, paciência e boa negociação abrem portas para achados que encantam amigos e família.

Ginásio de Boxe Rafael Trejo

Na Calle Cuba #815, entre Merced e Leonor Pérez, ergue-se o Ginásio de Boxe Rafael Trejo, um dos mais antigos e tradicionais de Havana. Treinos ao ar livre forjaram vários campeões olímpicos cubanos, sob o céu que testemunha o suor e a glória.

Seu nome homenageia o estudante Rafael Trejo, assassinado em 1930 nos protestos contra a ditadura de Gerardo Machado, sendo um eco de luta que ainda pulsa.

Museu Casa Natal de José Martí

Na Calle Paula #314, entre Picota e Egido, em Habana Vieja, ergue-se o Museu Casa Natal de José Martí. O lar é onde, em 28 de janeiro de 1853, nasceu o herói nacional e líder do processo de independência cubana.

Suas salas guardam objetos pessoais do escritor e político, tecendo para os visitantes a vida e obra que o tempo não desvanece. Inaugurado em 1925, este é o museu mais antigo de Havana.

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