




VEDADO E PLAZA
Vedado pulsa como centro cultural, político e econômico de Havana, abrigando teatros, museus, hotéis, empresas, restaurantes e órgãos governamentais. Integrado ao município Plaza de la Revolución, nasceu no fim do século XIX como bairro planejado: quadras de 100 metros, edificações com jardins e avenidas amplas que convidam ao devaneio.
Por que “Vedado”? Em 1555, o corsário Jacques de Sores atacou por terra na Caleta de San Lázaro, semeando horror e destruição. Para impedir novos saqueadores, o Cabildo proibiu assentamentos e caminhos – assim surgiu “El Vedado”, o local vedado à cidade.
Com tantas atrações, dividimos Vedado em cinco partes, guiados por:
- Hotel Nacional
- Hotel Habana Libre e Universidade
- Cine Yara e Sorveteria Coppelia
- Avenida Paseo esquina Malecón
- Praça da Revolução
1. Hotel Nacional
Inaugurado em 1930, o Hotel Nacional desdobra-se como um clássico cubano, repleto de luxos e comodidades que cativavam os viajantes. Seus hóspedes ilustres – Winston Churchill, Frank Sinatra, Marlon Brando, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Gabriel García Márquez, Muhammad Ali, Lula, Hu Jintao, Jimmy Carter e Eduardo Galeano – deixaram ecos que o tempo não desvanece.
Não precisa ser hóspede para devanear no jardim interno, saborear um mojito e contemplar o Malecón do alto, com carros em movimento e o El Morro ao fundo. Nos túneis subterrâneos, transformados em museu, a crise dos mísseis de 1962 ganha vida; o passeio guiado revela a suíte da máfia pré-Revolução e um terraço de vista espetacular.
As salas do Panteon Histórico tecem histórias desses gigantes. À noite, o Salão Parisien ou Salão 1930 convida a jantar e shows de música cubana que sussurram ritmos eternos.
La Rampa
Uma das principais artérias de Vedado, La Rampa desdobra-se nos cinco quarteirões da Calle 23, partindo da Calle L e descendo cerca de 1 km até o Malecón. Pulsante de juventude, abriga bares, restaurantes e clubes noturnos que convidam ao devaneio noturno, além de escritórios de empresas e órgãos governamentais.
Feira de Artesanato
Na Rampa (Calle 23), a principal feira de artesanato de Vedado desdobra-se como um convite ao devaneio, perfeita para garimpar presentes e recordações que carregam a alma cubana. Próxima ao Hotel Habana Libre, na segunda quadra entre M e N, sussurra memórias para levar na bagagem.
2. Hotel Habana Libre
O Hotel Habana Libre, inaugurado em 1958 como Habana Hilton do grupo americano Hilton, pulsou com luxos pré-revolucionários. Com o triunfo da Revolução, hotéis e casinos – fontes de lavagem da máfia dos EUA – foram nacionalizados e fechados. Assim, o Habana Hilton ganhou novo nome: Habana Libre.
Em 8 de janeiro de 1959, Fidel e os barbudos rebeldes entraram em Havana e elegeram o hotel como quartel-general. No hall, fotos eternizam aquele instante histórico, sussurrando a glória dos guerrilheiros.
Loja Habana Sí
Se busca CDs e DVDs de Silvio Rodríguez, Pablo Milanés e Omara Portuondo, a loja Habana Sí é o refúgio ideal, em frente ao Hotel Habana Libre, na Calle 23 esquina com L. Além da alma sonora, oferece bonés, camisetas, vestidos, toalhas e cerâmicas para turistas que devaneiam com a ilha.
Sente-se no jardim, capte o WiFi próximo e conecte-se ao mundo. Cambistas ali perto vendem cartões de internet, facilitando o pulso digital.
Universidade de Havana
Fundada em 5 de janeiro de 1728 pelos frades dominicanos, a Universidade de Havana (UH) desdobra-se como uma das primeiras da América, centro de referência acadêmica e científica, classificada em 19º no QS Latin America University Rankings 2019.
Carinhosamente chamada de “un avispero antimperialista”, nela estudaram líderes revolucionários como Julio Antonio Mella e Fidel Castro.
No alto da escadaria de 88 degraus que leva ao prédio principal, a escultura Alma Mater, obra do tcheco Mario Kabel, estende os braços em boas-vindas, sussurrando sabedoria aos que sobem.
3. Cine Yara e Coppelia
Cine Yara
Inaugurado em 1947, na esquina da Calle L com La Rampa, o Cine Yara desdobra-se como um dos cinemas mais tradicionais de Havana. Em dezembro, abriga uma das sedes do Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, convidando ao devaneio com as novas vozes do cinema latino.
Sorveteria Coppelia
A Coppelia desdobra-se como a sorveteria mais tradicional de Havana, ponto de encontro e diversão da população. Seu prédio gigante, cercado de árvores, evoca uma sorveteria aninhada em parque, convidando ao devaneio refrescante.
Muito concorrida, uma fila enorme serpenteia para o sorvete cubano em moeda nacional (CUP). Sem tempo ou paciência? O quiosque externo vende em pesos convertíveis (CUC), um alívio doce.
Edifício FOCSA
Erguido em 1956, o FOCSA desdobra-se em silhueta de “Y”, com 121 metros de altura que desafiam o horizonte. No 33º andar, o restaurante La Torre convida a vistas que sussurram a alma de Havana. Considerado uma das Sete Maravilhas da Engenharia Civil Cubana, pulsa como ícone eterno.
Parque Don Quijote
O Parque Don Quijote homenageia o mais significativo personagem da literatura espanhola de Miguel de Cervantes. A escultura de Don Quijote montado em Rocinante, obra de Sergio Martinez intitulada El Quijote de América, ergue-se na esquina das Calles 23 e J, perto da sorveteria Coppelia, convidando ao devaneio com o eterno idealista.
4. Avenida Paseo esquina Malecón
Hotel Habana Rivera
Na Calle Paseo esquina Malecón, erguido em 1957 como Havana Rivera por Meyer Lansky – o mafioso de cassinos de Las Vegas, fugindo do FBI –, o Hotel Habana Riviera sussurra intrigas do passado. Lansky investiu em Cuba para escapar da jurisdição americana, mas o destino reservou-lhe pouca sorte.
Fidel, ainda nas montanhas, jurou executar gangsters em vez de deportá-los. Na véspera do Ano-Novo de 1959, Lansky pegou o jato e voou para as Bahamas. Com o triunfo da Revolução, cassinos e hotéis da máfia foram nacionalizados, transformando o Riviera em eco revolucionário.
Hotel Meliá Cohíba
Colado ao Habana Riviera, na Calle Paseo esquina Malecón, o Meliá Cohiba ergue-se construído nos anos 90, quando o governo cubano investiu no turismo e abriu as portas da ilha a visitantes internacionais. Administrado pelo grupo espanhol Meliá em parceria com uma empresa cubana, pulsa com o vigor de uma era renovada.
No bar, janelas de vidro tecem vistas que sussurram o Malecón, convidando ao devaneio com o mar ao alcance dos olhos.
Cemitério Necrópolis de Colón
A Necrópolis de Colón desdobra-se como o maior cemitério da América, com 57 hectares de mármore e memórias. Seu pórtico de entrada, em Carrara puro, ergue alegorias da fé, esperança e caridade, impressionando o devaneio do visitante desde o primeiro passo.
Ao fundo da avenida central, a Capela Central vela serena. É um museu de esculturas ao ar livre, onde jazigos tecem detalhes que murmuram obras de arte eternas.
5. Praça da Revolução
A Praça da Revolução desdobra-se indispensável em Havana, berço de atos políticos, desfiles cívicos e paradas militares que ecoam a alma da nação. Até 1959, conhecida como Praça Cívica, foi reformada, ampliada e rebatizada, convidando ao devaneio com sua grandiosidade renovada.
Memorial José Martí
Na Praça da Revolução, o Memorial José Martí desdobra-se com uma estátua de 18 metros do El Apóstol de la Independência de Cuba. Inaugurado em 1996, suas salas tecem relíquias, documentos e gravuras que sussurram a vida e obra do apóstolo da independência cubana.
A torre piramidal coroa o monumento. Do alto, a 141 metros acima do mar – o ponto mais elevado de Havana –, vistas panorâmicas convidam ao devaneio sobre a cidade logo abaixo.
Mural do Che Guevara
Na Praça da Revolução, a imagem mais conhecida do Comandante Che Guevara desdobra-se na fachada do edifício que, no alvorecer da Revolução, abrigou o Ministério de Indústrias – do qual Che foi ministro –, e hoje vela pelo Ministério do Interior.
O retrato icônico, capturado pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960, intitula-se Guerrillero Heroico, tecendo para sempre o devaneio revolucionário.
Mural do Camilo Cienfuegos
Desde 2009, Che Guevara desdobra-se com a companhia de outro revolucionário na Praça da Revolução: a escultura em homenagem a Camilo Cienfuegos ergue-se na fachada do edifício do Ministério de Informática e Comunicações, tecendo o legado duplo que pulsa na alma da ilha.
Palácio da Revolução
O Palácio da Revolução ergue-se como sede do governo cubano – Conselho de Estado e de Ministros –, além do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, tecendo o coração administrativo da nação.
Do alto da torre do Memorial José Martí, na Plaza de la Revolución, revela-se em toda grandeza, com a Avenida Rancho Boyeros ao fundo, evocando o devaneio sobre o poder que lateja na ilha.
Museu Postal Cubano
Os amantes da filatelia não podem ignorar o Museu Postal Cubano, que ocupa o térreo do Ministério de Informática e Comunicações – o edifício com Camilo Cienfuegos na fachada. Ali, selos tecem a história da ilha, convidando ao devaneio com marcas eternas.